Páscoa chegando: conheça marcas de chocolate acusadas de explorar o trabalho escravo infantil (e aqu


Grande parte do cacau usado para fazer chocolates ao redor do mundo vem da Costa do Marfim, África. É altamente provável que os grãos que fazem sua barra de chocolate favorito venham de lá.


A cultura do cacau é considerada artesanal, pois necessita de mão de obra em todas as etapas de plantio - desde a colheita até a entrega das sementes às fábricas de chocolate. Quando maduros, os frutos são colhidos e, com um golpe certeiro de facão, abertos com cuidado - para não atingir os cachos de sementes, que devem ser debulhadas e selecionadas. Em seguida, sementes e polpa são postas para fermentar. O trabalho é árduo e perigoso. A realidade chocante é que muito deste trabalho é feito por crianças. Crianças amam ovos de Páscoa, exceto aquelas que são forçadas a fazê-los Apesar das melhorias na indústria de chocolate, o tráfico de seres humanos continua a ser um problema permanente e consolidado. Devido à natureza clandestina e ilegal deste ato, reunir estatísticas sobre a escala do problema é difícil. Estimativas de trabalho infantil em fazendas de cacau na Costa do Marfim e em Gana, feitas por organização como a Iniciativa Internacional do Cacau (ICI), UNICEF e a Universidade Tulan, variam de 300.000 a 1 milhão de 2007-2013. É fato notório que grande parte dessas crianças foram traficadas. Qualquer que seja o número exato, isso já é bastante!

Crianças entre 10 e 16 anos de idade (ou até mesmo mais novas), são obrigadas a trabalhar em plantações isoladas, de 80 a 100 horas por semana, em condições precárias. O documentário Slavery: A Global Investigation (conhecido no Brasil como Escravidão: Uma Investigação Global) entrevistou crianças que foram libertadas e contaram sobre os frequentes casos de agressão. "Os espancamentos eram uma parte da minhavida", desabafou Aly Diabate, uma das crianças libertadas. "Sempre que estávamos carregando sacos [de grãos de cacau] e caíamos durante o transporte, ninguém ajudava. Em vez disso, nos batiam repetidamente até que ficássemos em pé de novo.".


Em 2001, a FDA (órgão governamental dos EUA responsável pelo controle de alimentos) quis aprovar uma legislação para a aplicação do selo "slave free" (sem trabalho escravo) nos rótulos das embalagens. Antes da legislação ser votada, contudo, a indústria do chocolate – incluindo a Nestlé, a Hershey e a Mars – pararam a campanha, prometendo acabar com o trabalho escravo infantil das suas empresas até 2005. Desde então, este prazo tem sido constantemente adiado, sendo a meta, no momento, o ano de 2020. Enquanto isto, o número de crianças que trabalham na indústria do cacau aumentou 51% entre 2009 e 2014, segundo um relatório de julho de 2015 feito pela Universidade Tulane.


Queremos chocolate livre de tráfico!


O poder da indústria do chocolate é significativo. Já foram noticidados casos de arquivamento de processos judiciais contra algumas empresas famosas - entre as quais estão nomes bastante conhecidos pelos brasileiros, como Mars e Nestlé - que, para a produção de seus chocolates, financiam o trabalho escravo de crianças na África Ocidental. As ações judiciais contra as empresas foram impetradas pela Hagens Berman Sobol Shapiro, que sustentou que as gigantes do chocolate tendem a fechar os olhos para as violações dos direitos humanos por parte dos fornecedores de cacau na África Ocidental, sem nenhum problema: "Estas empresas enganam os consumidores, porque elas se apresentam como socialmente e eticamente responsáveis, quando na verdade sabem que o cultivo e a colheita de cacau têm lugar em condições desumanas".


De acordo com o estudo realizado pela Universidade de Tulane, mencionado na denúncia, para as grandes empresas do chocolate, na Costa do Marfim, mais de 4.000 crianças estão em condições de trabalho forçado para a produção de cacau. Algumas crianças são vendidas para traficantes pelos seus pais desesperados por causa da pobreza, enquanto outras são sequestradas. Os comerciantes de escravos, por suas vezes, vendem as crianças para os donos das plantações de cacau. As crianças são forçadas a viver em lugares isolados, são ameaçadas com espancamentos, ficam presas inclusive durante a noite para que não fujam e são forçadas a trabalhar por longas horas, mesmo quando estão doentes, de acordo com as denúncias apresentadas às empresas. As crianças carregam sacolas tão grandes e pesadas, que as colocam em risco de ferimentos graves. A idade das crianças escravizadas varia de 11 a 16 anos, mas também pode haver crianças com idade inferior a 10 anos.


Abaixo segue uma lista de empresas acusadas de se beneficiar trabalho escravo infantil:


Hershey

Mars

Nestle

ADM Cocoa Godiva

Fowler’s Chocolate

Kraft


De outro lado, segue uma lista de empresas com maior consciência social e que fazem sua parte para evitar o lucro proveniente do trabalho infantil:


Clif Bar

Green and Black’s

Koppers Chocolate

L.A. Burdick Chocolates

Denman Island Chocolate

Gardners Candie

Montezuma’s Chocolates

Newman’s Own Organics

Kailua Candy Company

Omanhene Cocoa Bean Company

Rapunzel Pure Organics

The Endangered Species Chocolate Company

Cloud Nine

Saiba mais sobre o assunto!

- Clique AQUI para assistir ao documentário "Escravidão: uma investigação global" (em inglês).

- Clique AQUI para assistir ao documentário "O lado negro do chocolate" (legendado).

Veja outra ista de empresas que usam cacau crescido de maneira ética em: http://www.slavefreechocolate.org/ethical-chocolate-companies/

Saiba mais sobre o assunto

Clique aqui para conhecer a história de alguns dos pescadores resgatados! 

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